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domingo, 1 de abril de 2012

DETERMINISMO E LIVRE ARBÍTRIO


DETERMINISMO  E  LIVRE  ARBÍTRIO
Emmanuel

Determinismo e Livre-arbítrio coexistem na vida, entrosando-se na estrada dos destinos, para a elevação e redenção dos homens.
O primeiro é absoluto nas mais baixas camadas evolutivas e o segundo amplia-se com os valores da educação e da experiência.
A determinação divina na sagrada lei universal é sempre a do bem e da felicidade, para todas as criaturas.
No lar humano, não vedes um pai generoso e ativo, com um largo programa de trabalhos pela ventura dos filhos? E cada filho, cessado o esforço da educação na infância, na preparação para a vida, não deveria ser um colaborador fiel da generosa providência paterna pelo bem de toda a comunidade familiar? Entretanto, a maioria dos pais humanos deixa a terra sem ser compreendida, apesar de todo esforço despendido na educação dos filhos.
Nessa imagem muito frágil, em comparação com a paternidade divina, temos um símile da situação.
O Espírito que, de algum modo, já armazenou certos valores educativos, é convocado para esse ou aquele trabalho de responsabilidade junto de outros seres em provação rude, ou em busca de conhecimentos para a aquisição da liberdade. Esse trabalho deve ser levado a efeito na linha reta do bem, de modo que esse filho seja o bom cooperador do Pai Supremo, que é Deus. O administrador de uma instituição, o chefe de oficina, o escritor de um livro, o mestre de uma escola, têm a sua parcela de independência para colaborar na obra divina, e devem retribuir a confiança espiritual que lhes foi deferida. Os que se educam e conquistam direitos naturais, inerentes à personalidade, deixam de obedecer, de modo absoluto, no determinismo da evolução, porquanto estarão aptos a cooperar no serviço das ordenações, podendo criar as circunstâncias para a marcha ascensional de seus subordinados e irmãos em humanidade, no mecanismo de responsabilidade da consciência esclarecida.
Nesse trabalho de ordenar com Deus, o filho necessita considerar o zelo e o amor paternos, a fim de não desviar sua tarefa do caminho reto, supondo-se senhor arbitrário das situações, complicando a vida da família humana, e adquirindo determinados compromissos, por vezes bastante penosos, porque, contrariamente ao propósito dos pais, há filhos que desbaratam os “talentos” colocados em suas mãos, na preguiça, no egoísmo, na vaidade e no orgulho.
Daí a necessidade de concluirmos com a apologia da Humanidade, salientando que o homem que atingiu certa parcela de liberdade está retribuindo a confiança do Senhor, sempre que age com a sua vontade misericordiosa e sábia, reconhecendo que o seu esforço individual vale muito, não por ele, mas pelo amor de Deus que o protege e ilumina na edificação de sua obra imortal.

sábado, 31 de março de 2012

Presença espiritual


Presença espiritual
Quem está habituado a enfrentar águas traiçoeiras sabe o quanto é importante o brilho do farol para apontar o rumo seguro.
Sherry Hogan conta que o seu farol era o lenço de seu pai. Ele não dava importância às iniciais bordadas ou aos tecidos caros. Gostava mesmo de lenços de algodão branco simples.
Sempre à mão, o lenço de seu pai servia para limpar os desastres ocasionados pelos picolés derretidos da criançada, no banco traseiro do carro.
Serviu para enfaixar o ferimento do gatinho favorito de Sherry, depois de um desagradável encontro do bichano com o cachorro do vizinho.
Na adolescência, mais de uma vez o lenço serviu para secar as lágrimas de Sherry. Quando, aos vinte anos, ela foi se despedir do pai, antes de partir para a Europa, começou a chorar, tomada de pânico.
O quadrado de algodão tão familiar serviu para lhe secar as lágrimas, enquanto a voz grave do pai a incentivava a confiar e partir.
Três anos depois, em seu retorno, a primeira visão que teve ao chegar ao aeroporto, foi do lenço branco do pai acenando para ela acima das cabeças da multidão.
No natal de 1997, seu pai estava muito doente. O câncer lhe tomara quase todo o corpo. Sabendo que ele partiria a qualquer momento, Sherry foi comprar lenços lindos, de linho, bordados. Naturalmente, também comprou uns de algodão, por preço bem popular.
Ele abriu cada um dos pacotes. Colocou de lado os elegantes lenços bordados, escolheu um baratinho e falou: Só usarei os caros em ocasiões muito importantes.
A filha abraçou o pai, como a se despedir: Você sempre esteve presente quando precisei, pai. - Foi o que falou, emocionada.
Ele respondeu: E sempre vou estar. Só que de um jeito diferente. Confie em mim.
Dez dias depois ele partiu. Sherry passou a sentir muito a falta dele.
Dois meses depois, ela se sentia desanimada, triste. Sabia que ele estava em um lugar melhor, mas precisava do abraço dele.
Fale com ele, disse-lhe sua irmã.
Chorosa, saudosa, ela começou a falar, andando pela sala: Ah, papai. Sei que você está em um lugar melhor. Acredito nisso especialmente graças a você. Mas sinto tanto sua falta. Eu só queria saber se você está bem.
O silêncio foi a resposta. Ela começou a soluçar alto. Podia sentir a tristeza lhe percorrendo o corpo todo.
Foi então que ela viu, pelo canto do olho: um grande quadrado branco debaixo da cadeira de seu pai.
Era um dos lenços novos bordados. Como ele tinha ido parar ali? Ela limpava a sala todas as manhãs. De onde ele poderia ter saído?
Palavras de seu pai lhe vieram à mente: Só usarei os lenços caros em ocasiões muito importantes.
Sherry entendeu. Seu pai lhe mandara a resposta: Querida, estou bem. Cheguei em casa.
Os amores que se vão continuam a nos amar, não importando o tempo.
Zelosos, prosseguem velando por nós e, de forma sutil, se fazem presentes em nossas vidas.
Pelos fios invisíveis da oração, é possível sentir-lhes o carinho e a mansidão da voz dizendo que chegaram bem, que nos aguardarão no tempo, pacientemente, para o delicado reencontro.
 Seleções Reader´s Digest, de setembro de 2000.