contador de visitas

terça-feira, 3 de abril de 2012

Como educar os filhos?

 Como educar os filhos?


Narra uma antiga lenda que, certa vez, um rei chamou o homem mais sábio que conhecia para pedir conselhos.
O soberano se preparava para ser pai e desejava orientações a respeito da educação de seus filhos, uma vez que sabia da importância de seu papel como progenitor na vida dos rebentos.
Dize-me, sábio conselheiro, tu que sempre me ajudaste nas questões mais graves na regência deste reino: como deve agir um pai para criar bons filhos?
Deve agir com extrema severidade, a fim de corrigir e dominar os maus instintos, ou com absoluta benevolência - a fim de manter uma boa relação e destacar as boas tendências deles?
Ao ouvir essas palavras, o ilustre filósofo manteve-se em silêncio, pensando, pensando...
Passados alguns instantes de profunda reflexão, chamou um servo e pediu-lhe que trouxesse dois vasos valiosos de porcelana que decoravam o salão real e que ele sabia estavam entre os preferidos do rei.
Pediu também um balde com água fervente e outro com água gelada, praticamente congelada.
O rei estava achando aquilo muito estranhoInclusive, começou a ficar um pouco preocupado com a movimentação das peças que eram parte do seu tesouro pessoal.
Com naturalidade, o sábio ordenou a um servo:
Quero que enchas esses dois vasos com a água que acabas de trazer, sendo um com água fervente e o outro com água gelada!
Preparava-se o servo obediente para despejar, como lhe fora ordenado, a água fervente num dos vasos e a gelada no outro, quando o rei, emergindo de sua estupefação, interveio no caso com energia:
Que loucura é essa, ó venerável sábio! Queres destruir estas obras maravilhosas? A água fervente fará, certamente, arrebentar o vaso em que for colocada. A água gelada fará partir-se o outro!
O sábio, calmamente, então tomou de um dos baldes, misturou a água fervente com a gelada e, com a mistura assim obtida, encheu os dois vasos sem perigo algum.
O poderoso monarca e os venerandos mandarins presentes, observaram, atônitos, a atitude singular do filósofo.
Ele, porém, indiferente ao assombro que causava, aproximou-se do soberano e assim falou:
Nossos filhos, ó rei, são como o vaso de porcelana. A postura do pai é como a água.
A água fervente da severidade ou a gelada da excessiva benevolência são igualmente desastrosas para a alma das crianças.
Manda, pois, a sabedoria e ensina a prudência que haja um perfeito equilíbrio entre a severidade - com que se pode tolher os maus pendores, corrigir as falhas - e a generosidade, a docilidade - com que se deve tratar e cultivar as qualidades.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O Preto Velho


    O Preto Velho

    Dando início a uma destas reuniões mediúnica num centro espírita orientado pela doutrinade Allan Kardec, foi feita a prece de abertura por um dos presentes. Iniciando-se as manifestações, pequenas mensagens de consolo e apoio, foram dadas pelos desencarnados aos membros da reunião.
    Quando se abriu o espaço destinado à comunicação de Espíritos
    necessitados, ocorreu o inesperado: a médium Letícia fica sob a influência de um Espírito.
    O dirigente, como sempre fez nos seus vinte e tantos anos de prática
    espírita, deu-lhe as boas-vindas, em nome de Jesus.
    - Seja bem-vindo, meu irmão, nesta casa de caridade, disse-lhe Dr.
    Anestor.
    O espírito respondeu:
    - Boa noite, Fio. Suncê me dá licença prá eu me aproximá de seus
    trabalhos, Fio?".
    - Claro, meu companheiro, nosso centro espírita está aberto a todos os que desejam progredir, respondeu o diretor da mesa.
    Todos os presentes perceberam que a entidade comunicante era um
    preto-velho, a entidade continuou:
    -"Vósmecê não tem aí uma cachacinha prá eu bebê, Fio?".
    - Não, não temos, disse-lhe Dr. Anestor. Você precisa se libertar destes costumes que traz dos terreiros, que é o de ingerir bebidas alcoólicas. O Espírito precisa evoluir, completou o dirigente.
    - Vósmecê num tem aí um pito? Tô com vontade de pitá um cigarrinho, Fio.
    - Ora, meu irmão, você deve deixar o mais breve possível este hábito
    adquirido nas práticas de terreiro, se é que queres progredir. Que
    benefícios traria isso a você?
    O preto-velho respondeu:
    - Preto-véio gostou muito de suas falas, mas suncê e mais alguns dos
    médiuns não faz uso do cigarro, Fio? Suncê mesmo num toma suas
    bebidinhas nos fins de sumana? Vós mecê pode me explicá a diferença que
    tem o seu Espírito que beberica `whisky' lá fora, do meu Espírito que quer beber aqui dentro? Ou explicá prá mim, a diferença do cigarrinho que suncês fuma na rua, daquele que eu quero pitar aqui dentro, Fio?
    Dr. Anestor não pôde explicar, mas resolveu arriscar: - Ora, meu amigo,
    nós estamos num templo espírita e é preciso respeitar os trabalhos de
    Jesus. O preto-velho retrucou, agora já não mais falando como caipira:
    - Caro dirigente, na escola espiritual da qual faço parte, temos aprendido que o verdadeiro templo não se constitui nas quatro paredes a que chamais centro espírita. Para nós, estudiosos da alma, o templo da verdade é o do Espírito. E é ele que está sendo profanado com o uso do álcool e do fumo, como vêm procedendo os senhores. Vosso exemplo na sociedade, perante os estranhos e mesmo seus familiares, não tem sido dos melhores. O hábito, mesmo social, de beber e fumar deve ser combatido por todos os que trabalham na Terra em nome do Cristo. A lição do próprio comportamento é fundamental na vida de quem quer ensinar.
    Houve grande silêncio diante de tal argumentação segura. Pouco depois, o Espírito continuou:
    - Suncê me adescurpa a visitação que fiz hoje, e o tempo que tomei do seu trabalho. Vou-me embora para donde vim, mas antes, Fio, queria deixar a suncês um conselho: que tomem cuidado com suas obras, pois, como diria Nosso Sinhô', tem gente coando mosquito e engolindo camelos.
    - Cuidado, irmãos, muito cuidado. Preto-véio deixa a todos um pouco da
    paz que vem de Deus. Ficam meus sinceros votos de progresso a todos os
    que militam nesta respeitável Seara".
    Dado o conselho, afastou-se para o mundo invisível. Dr. Anestor ainda quis perguntar-lhe o porquê de falar "daquela forma", mas não houve resposta.
    No ar ficou um profundo silêncio, uma fina sensação de paz e uma
    importante lição para todos meditarem.