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segunda-feira, 2 de abril de 2012

O Preto Velho


    O Preto Velho

    Dando início a uma destas reuniões mediúnica num centro espírita orientado pela doutrinade Allan Kardec, foi feita a prece de abertura por um dos presentes. Iniciando-se as manifestações, pequenas mensagens de consolo e apoio, foram dadas pelos desencarnados aos membros da reunião.
    Quando se abriu o espaço destinado à comunicação de Espíritos
    necessitados, ocorreu o inesperado: a médium Letícia fica sob a influência de um Espírito.
    O dirigente, como sempre fez nos seus vinte e tantos anos de prática
    espírita, deu-lhe as boas-vindas, em nome de Jesus.
    - Seja bem-vindo, meu irmão, nesta casa de caridade, disse-lhe Dr.
    Anestor.
    O espírito respondeu:
    - Boa noite, Fio. Suncê me dá licença prá eu me aproximá de seus
    trabalhos, Fio?".
    - Claro, meu companheiro, nosso centro espírita está aberto a todos os que desejam progredir, respondeu o diretor da mesa.
    Todos os presentes perceberam que a entidade comunicante era um
    preto-velho, a entidade continuou:
    -"Vósmecê não tem aí uma cachacinha prá eu bebê, Fio?".
    - Não, não temos, disse-lhe Dr. Anestor. Você precisa se libertar destes costumes que traz dos terreiros, que é o de ingerir bebidas alcoólicas. O Espírito precisa evoluir, completou o dirigente.
    - Vósmecê num tem aí um pito? Tô com vontade de pitá um cigarrinho, Fio.
    - Ora, meu irmão, você deve deixar o mais breve possível este hábito
    adquirido nas práticas de terreiro, se é que queres progredir. Que
    benefícios traria isso a você?
    O preto-velho respondeu:
    - Preto-véio gostou muito de suas falas, mas suncê e mais alguns dos
    médiuns não faz uso do cigarro, Fio? Suncê mesmo num toma suas
    bebidinhas nos fins de sumana? Vós mecê pode me explicá a diferença que
    tem o seu Espírito que beberica `whisky' lá fora, do meu Espírito que quer beber aqui dentro? Ou explicá prá mim, a diferença do cigarrinho que suncês fuma na rua, daquele que eu quero pitar aqui dentro, Fio?
    Dr. Anestor não pôde explicar, mas resolveu arriscar: - Ora, meu amigo,
    nós estamos num templo espírita e é preciso respeitar os trabalhos de
    Jesus. O preto-velho retrucou, agora já não mais falando como caipira:
    - Caro dirigente, na escola espiritual da qual faço parte, temos aprendido que o verdadeiro templo não se constitui nas quatro paredes a que chamais centro espírita. Para nós, estudiosos da alma, o templo da verdade é o do Espírito. E é ele que está sendo profanado com o uso do álcool e do fumo, como vêm procedendo os senhores. Vosso exemplo na sociedade, perante os estranhos e mesmo seus familiares, não tem sido dos melhores. O hábito, mesmo social, de beber e fumar deve ser combatido por todos os que trabalham na Terra em nome do Cristo. A lição do próprio comportamento é fundamental na vida de quem quer ensinar.
    Houve grande silêncio diante de tal argumentação segura. Pouco depois, o Espírito continuou:
    - Suncê me adescurpa a visitação que fiz hoje, e o tempo que tomei do seu trabalho. Vou-me embora para donde vim, mas antes, Fio, queria deixar a suncês um conselho: que tomem cuidado com suas obras, pois, como diria Nosso Sinhô', tem gente coando mosquito e engolindo camelos.
    - Cuidado, irmãos, muito cuidado. Preto-véio deixa a todos um pouco da
    paz que vem de Deus. Ficam meus sinceros votos de progresso a todos os
    que militam nesta respeitável Seara".
    Dado o conselho, afastou-se para o mundo invisível. Dr. Anestor ainda quis perguntar-lhe o porquê de falar "daquela forma", mas não houve resposta.
    No ar ficou um profundo silêncio, uma fina sensação de paz e uma
    importante lição para todos meditarem.


domingo, 1 de abril de 2012

DETERMINISMO E LIVRE ARBÍTRIO


DETERMINISMO  E  LIVRE  ARBÍTRIO
Emmanuel

Determinismo e Livre-arbítrio coexistem na vida, entrosando-se na estrada dos destinos, para a elevação e redenção dos homens.
O primeiro é absoluto nas mais baixas camadas evolutivas e o segundo amplia-se com os valores da educação e da experiência.
A determinação divina na sagrada lei universal é sempre a do bem e da felicidade, para todas as criaturas.
No lar humano, não vedes um pai generoso e ativo, com um largo programa de trabalhos pela ventura dos filhos? E cada filho, cessado o esforço da educação na infância, na preparação para a vida, não deveria ser um colaborador fiel da generosa providência paterna pelo bem de toda a comunidade familiar? Entretanto, a maioria dos pais humanos deixa a terra sem ser compreendida, apesar de todo esforço despendido na educação dos filhos.
Nessa imagem muito frágil, em comparação com a paternidade divina, temos um símile da situação.
O Espírito que, de algum modo, já armazenou certos valores educativos, é convocado para esse ou aquele trabalho de responsabilidade junto de outros seres em provação rude, ou em busca de conhecimentos para a aquisição da liberdade. Esse trabalho deve ser levado a efeito na linha reta do bem, de modo que esse filho seja o bom cooperador do Pai Supremo, que é Deus. O administrador de uma instituição, o chefe de oficina, o escritor de um livro, o mestre de uma escola, têm a sua parcela de independência para colaborar na obra divina, e devem retribuir a confiança espiritual que lhes foi deferida. Os que se educam e conquistam direitos naturais, inerentes à personalidade, deixam de obedecer, de modo absoluto, no determinismo da evolução, porquanto estarão aptos a cooperar no serviço das ordenações, podendo criar as circunstâncias para a marcha ascensional de seus subordinados e irmãos em humanidade, no mecanismo de responsabilidade da consciência esclarecida.
Nesse trabalho de ordenar com Deus, o filho necessita considerar o zelo e o amor paternos, a fim de não desviar sua tarefa do caminho reto, supondo-se senhor arbitrário das situações, complicando a vida da família humana, e adquirindo determinados compromissos, por vezes bastante penosos, porque, contrariamente ao propósito dos pais, há filhos que desbaratam os “talentos” colocados em suas mãos, na preguiça, no egoísmo, na vaidade e no orgulho.
Daí a necessidade de concluirmos com a apologia da Humanidade, salientando que o homem que atingiu certa parcela de liberdade está retribuindo a confiança do Senhor, sempre que age com a sua vontade misericordiosa e sábia, reconhecendo que o seu esforço individual vale muito, não por ele, mas pelo amor de Deus que o protege e ilumina na edificação de sua obra imortal.