contador de visitas

sábado, 31 de março de 2012

Presença espiritual


Presença espiritual
Quem está habituado a enfrentar águas traiçoeiras sabe o quanto é importante o brilho do farol para apontar o rumo seguro.
Sherry Hogan conta que o seu farol era o lenço de seu pai. Ele não dava importância às iniciais bordadas ou aos tecidos caros. Gostava mesmo de lenços de algodão branco simples.
Sempre à mão, o lenço de seu pai servia para limpar os desastres ocasionados pelos picolés derretidos da criançada, no banco traseiro do carro.
Serviu para enfaixar o ferimento do gatinho favorito de Sherry, depois de um desagradável encontro do bichano com o cachorro do vizinho.
Na adolescência, mais de uma vez o lenço serviu para secar as lágrimas de Sherry. Quando, aos vinte anos, ela foi se despedir do pai, antes de partir para a Europa, começou a chorar, tomada de pânico.
O quadrado de algodão tão familiar serviu para lhe secar as lágrimas, enquanto a voz grave do pai a incentivava a confiar e partir.
Três anos depois, em seu retorno, a primeira visão que teve ao chegar ao aeroporto, foi do lenço branco do pai acenando para ela acima das cabeças da multidão.
No natal de 1997, seu pai estava muito doente. O câncer lhe tomara quase todo o corpo. Sabendo que ele partiria a qualquer momento, Sherry foi comprar lenços lindos, de linho, bordados. Naturalmente, também comprou uns de algodão, por preço bem popular.
Ele abriu cada um dos pacotes. Colocou de lado os elegantes lenços bordados, escolheu um baratinho e falou: Só usarei os caros em ocasiões muito importantes.
A filha abraçou o pai, como a se despedir: Você sempre esteve presente quando precisei, pai. - Foi o que falou, emocionada.
Ele respondeu: E sempre vou estar. Só que de um jeito diferente. Confie em mim.
Dez dias depois ele partiu. Sherry passou a sentir muito a falta dele.
Dois meses depois, ela se sentia desanimada, triste. Sabia que ele estava em um lugar melhor, mas precisava do abraço dele.
Fale com ele, disse-lhe sua irmã.
Chorosa, saudosa, ela começou a falar, andando pela sala: Ah, papai. Sei que você está em um lugar melhor. Acredito nisso especialmente graças a você. Mas sinto tanto sua falta. Eu só queria saber se você está bem.
O silêncio foi a resposta. Ela começou a soluçar alto. Podia sentir a tristeza lhe percorrendo o corpo todo.
Foi então que ela viu, pelo canto do olho: um grande quadrado branco debaixo da cadeira de seu pai.
Era um dos lenços novos bordados. Como ele tinha ido parar ali? Ela limpava a sala todas as manhãs. De onde ele poderia ter saído?
Palavras de seu pai lhe vieram à mente: Só usarei os lenços caros em ocasiões muito importantes.
Sherry entendeu. Seu pai lhe mandara a resposta: Querida, estou bem. Cheguei em casa.
Os amores que se vão continuam a nos amar, não importando o tempo.
Zelosos, prosseguem velando por nós e, de forma sutil, se fazem presentes em nossas vidas.
Pelos fios invisíveis da oração, é possível sentir-lhes o carinho e a mansidão da voz dizendo que chegaram bem, que nos aguardarão no tempo, pacientemente, para o delicado reencontro.
 Seleções Reader´s Digest, de setembro de 2000.

sexta-feira, 30 de março de 2012

A EXPLORAÇÃO DA VAIDADE


A EXPLORAÇÃO DA VAIDADE


            Freqüentemente temos dito que o Espiritismo interessa-se por tudo que diz respeito à humanidade e ao Universo, pois, sendo ciência, filosofia e religião, não pode alhear-se à coisa alguma; tudo deve ser objeto de estudo.
            Eis porque gostamos de meditar sobre as atividades humanas, e lastimamos que a falta de conhecimento da Doutrina Espírita, induza os homens a transviarem-se pelos ínvios caminhos do erro.
            Atravessamos uma crise financeira sem precedentes, e por que não dizer também econômica, se o nosso patrimônio não tem base sólida?   Por todos os lados aparecem teorias, sistemas, sugestões, planos, desde os mais simplistas até os mais complexos e absurdos. Entretanto ainda que fossem experimentados todos, cada um num dado tempo, julgamos que tudo seria baldado.  Em primeiro lugar o nosso mundo é de expiação e sofrimentos, reparações e resgates, e assim, como obra divina, não poderá o homem transformá-lo fazendo desaparecer da Terra toda miséria e toda dor. Poderá sim, o homem, num esforço hercúleo conseguir estabelecer a Fraternidade Universal, a única coisa capaz de contribuir para uns amenizarem,  nos outros, as desventuras e as dores físicas e morais.
            Para alcançar esse objetivo é necessário espiritualizar a Terra. Quando um sonhador fala nisso, os sorrisos de mofa surgem nas faces dos cépticos, felizardos do mundo, soberbos pelas riquezas e posição social, envaidecidos pela ciência adquirida.
            Poucos, talvez, têm se apercebido de que as crises econômicas e financeiras são originadas por múltiplas causas, tanto de ordem material, como de ordem moral ou espiritual. Elas conjugam-se de modo tal, que, a solução desses problemas sociais só tem lugar com a eliminação simultânea das mesmas. A supressão de uma só causa  ___ pode por vezes agravar até a situação.
            Quem já teve a curiosidade de estacionar diante das vitrinas das casas comerciais, não para assombrar-se com a elevação vertiginosa dos preços das mercadorias, nem para extasiar-se ante o apuro do luxo, o requinte de arte e o gosto da época, mas, simplesmente para observar a exploração da vaidade humana?
            Eis um dos fatores de preponderância da crise que nos asfixia!!
            Numa vitrina de uma sapataria contamos mais de quarenta modelos diferentes, noutra mais de sessenta, de calçados para homens!!  Só para homens!!  Pois os de senhoras, eram muito mais elevados!!!
            As fábricas do Brasil, são em sua maioria, de instalação arcaica e produção empírica. As máquinas são antigas, de muitos anos atras, defeituosas e deficientes para satisfazer as necessidades da época atual. Não temos como na América do Norte, estabelecimentos para produção em série, aos milhares, em condições de apresentar os produtos ao alcance de todas as bolsas, e acima de tudo de ótima qualidade.
            Com a variedade de modelos, tão grande como observamos, torna-se evidente que, cada fábrica precisa de um numeroso corpo de operários, selecionados, para fazer-se todo o serviço à mão, visto como não há máquinas para produção de calçados de feitios diferentes ao mesmo tempo.
            Nas lojas de ótica, óculos de toda qualidade e espécie, nos quais a originalidade suplanta o interesse da defesa dos órgãos visuais, os aros e vidros afastam-se da sua verdadeira finalidade e necessidade, sem que a classe médica apresente qualquer protesto.
            Basta! Para que mais citações se o leitor poderá também fazer o mesmo?  Observar.  Que significa isso tudo senão a vaidade se apossando da humanidade como uma doença contagiosa?
            Mas...  dirão os nossos confrades, que tem o Espiritismo com isso.  E nós perguntamos:  Serão por ventura os espíritas entes a parte da humanidade?  Não estaremos também no meio do povo que se comprime nas ruas em busca de alimentos, de vestuário?  Não sofremos também os efeitos dos desequilíbrios sociais?  Então, cumpre-nos estudar também e procurar uma solução.
            Os proprietários de fábricas, lojas e casas comerciais, não deixarão de explorar o povo por causa de leis de emergência e opressoras, mas sim por efeito do conhecimento e aplicação das leis Divinas que são inflexíveis.
            Os espíritas precisam interessar-se por todos os assuntos humanos, contribuindo para a divulgação dos ensinos dos espíritos, por todos os homens, afim de,  pela educação moral levar os exploradores a modificarem a sua conduta.  É preciso demonstrar aos homens quanto vale a estultícia da vaidade, o ridículo do homem que aprimora o gosto num sapato e conserva a cabeça oca de bons princípios. Os calçados de hoje não tem o necessário para um andar cômodo, para o conforto desejado, são pesados, grosseiros e o material de dois pares, talvez fosse suficiente para um terceiro. Há muita gente de sentimentos fátuos que deseja usar somente aquilo que não e comum, para se destacar dos seus semelhantes.
            O valor do homem não é dado pela roupa, mas por ela poderemos descobrir o caráter do seu portador. Quanto mais vaidade, mais luxo e mais pedantismo, maior é a inferioridade do homem, quer no saber, quer no moral.
            O espiritismo precisa por meio de seus adeptos advertir todos os neófitos, e mesmo alguns já antigos das nossas fileiras, dos perigos das tentações do mundo, o da necessidade que temos de modificar todos os nossos hábitos. Devemos ser sóbrios, simples, humildes, sinceros, desprovidos de apegos ao mundanismo e cheios de aspirações de felicidade espiritual.
            A vaidade humana é uma das causas das crises econômicas e financeiras do mundo. Sem ela, o luxo seria reprimido naturalmente, e em vez de exibições haveria mais interesse no bem estar individual e coletivo.  A sua extinção não se consegue com leis repressivas, mas com uma religião, ciência, e essa é o Espiritismo.