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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

FLORES SEM HASTE

FLORES SEM HASTE
Bezerra de Menezes
Nós temos na colônia Maria de Nazaré, uma freirinha cuja única alegria na Terra foi cuidar de um pequeno jardim, no convento das Carmelitas em que ela morava. Ela não se tornou freira porque quis, a mãe dela ficou muito doente durante o período de gestação e prometeu que, se ela vivesse e se a filha nascesse com saúde, seria freira.
Quando a vida começava a explodir em beleza e sonhos, aos quinze anos, fizeram um enxoval e entregaram-na como esposa do Cristo. Ela chorou sozinha durante muito tempo, depois se conformou e passou a dedicar às flores um pouco do seu amor. Ela tinha que orar enquanto fazia pão, tinha que orar enquanto lavava o pátio, tinha que orar enquanto fazia as refeições, tinha que orar o dia inteiro. Não aquela oração que saía do coração, mas aquela oração automática de quem reza a Ave Maria, a Salve Rainha e o Pai Nosso. Ela desencarnou e foi ser voluntária na Colônia Servos Maria de Nazaré. Ela se afeiçoou muito a uma madre e essa madre era uma ex-interna da colônia, então, ela resolveu ir para essa colônia.
Existe na colônia Maria de Nazaré o jardim das flores sem haste. As flores são cuidadas por ela, pela nossa pequenina freira. Essa irmãzinha faz flores belíssimas! Um dia, eu cheguei e perguntei:
- Por que, irmãzinha, você faz as flores sem haste? No Nosso Lar, na colônia Divino Amigo, na colônia Missionários da Luz, em todos os abrigos, temos jardins belíssimos, todos com hastes, com folhagens... Por que um jardim com flores sem hastes?
Ela me disse:
- Porque é muito difícil guardarmos a essência da fé e do amor com raízes plantadas profundamente no chão. Achavam, na Terra, que eu era santificada pela minha reclusão involuntária e a única alegria que eu tinha eram as flores, que eu justificava que eram cuidadas para serem colocadas aos pés da Virgem Santíssima. Mas, quando eu oferecia as flores para Virgem Santíssima, eu não oferecia as raízes, eu procurava cortar bem rente e oferecer só as flores. Hoje, como eu posso criar flores fluídicas, eu quero que todas as criaturas aprendam a caminhar na Terra sem deixar muitas raízes, porque aqui, na colônia onde sirvo, no hospital Maria de Nazaré, as pessoas que estão abrigadas plantaram muito mais raízes do que flores. São bem poucos aqueles que souberam valorizar as flores. As flores abrigam, às vezes, espinhos venenosos, raízes tóxicas, mas só as pétalas são como a face de Maria: suave, perfumada e doce. Plantaram a haste da minha vida no solo de uma igreja fria, onde meu único consolo era embelezar os pés de Maria, vendo meus colibris, meus beija-flores... Até as migalhas do pão me eram tão difíceis de oferecer aos passarinhos, mesmo recorrendo a Francisco de Assis como exemplo para a minha atitude... Fui, uma vez, inclusive, punida, porque diziam que eu via na imagem de Francisco de Assis a imagem de um homem, quando, na verdade, eu estava buscando uma fuga para poder olhar as aves do céu, como direito que todas as criaturas têm e o próprio Cristo nos Ensinou: “olhai as aves do céus!” Mas, tudo o que eu dizia representava para mim mais punição... E quando Bezerra de Menezes me pergunta por que eu faço flores sem haste, eu respondo como respondi: não é muito mais bela uma flor boiando no infinito de Deus?
Eu segurei as mãos daquela trabalhadora, pedi licença e beijei-as. Benditas sejam as mãos que amam as flores, bendito seja aquele que tem olhos para ver as aves do céu, para ver os lírios do campo, sem falar no lodo que alimenta esses lírios, mas na beleza que neles resplandecem! Ela, realmente, levou para a colônia só as flores e deixou no chão da Terra as raízes...

sábado, 18 de fevereiro de 2012

VIVER EM PAZ

VIVER EM PAZ
Espírito Augusto Cezar
Prezada irmã.
Recebi a carta em que a sua generosidade me pergunta como viver em paz, sem aversões e sem inimigos.
Creia que despendi muito tempo procurando um caminho para a resposta.
Meditei, meditei, até que um professor iluminado por muitas experiências, falou-me, bem humorado:
- Augusto, sobre tranqüilidade e inimigos, tenho uma pequena historia que vale a pena ser contada.
E prosseguiu:
Nos tempos medievais, grande parte da Europa era recortada por numerosos domínios. Foi assim que existiu um reino na Itália, cujos habitantes se caracterizavam pelo gênio criativo e trabalhador.
Tudo corria, por lá, às mil maravilhas, quando certa parte do território entrou em dificuldade para o relacionamento harmonioso dos cidadãos entre si.
Tudo começou com tricas domésticas que rapidamente degeneraram em conflitos sociais que se comunicaram à vida produtiva do País.
Desorganizara-se o trabalho, o ódio estabelecia a delinqüência, a luta de classes oferecia péssimos exemplos à comunidade e, quando o desequilíbrio atingiu o auge, reuniram-se os soberanos com os juizes e conselheiros nos quais se inspiravam e resolveu-se que o filho único do casal fosse em missão punitiva ao encontro dos dissidentes, de modo a restaurar os princípios da segurança.
O jovem prometeu liquidar todos os inimigos do reino e, dias depois, cavalgando soberbo corcel, o rapaz, acompanhado de assessores, partiu em busca da recuada província que a rebeldia infestava.
Atingida a meta, os colaboradores do príncipe, com grande espanto, viram-no convidar as autoridades responsáveis pelos negócios do Estado para um entendimento em praça pública.
Marcado o dia para o diálogo aberto, notou-se que o rapaz iniciou a reunião, pedindo a Deus abençoasse a todos os que ali compareciam de boa vontade.
Finda a prece, requisitou o debate e, com admiração para todos os moradores do rebelado recanto, passou a perdoar todas as injurias, assacadas contra a sua família; mandou pagar as indenizações que lhe foram apresentadas com documentos justos e reorganizou o serviço das classes diversas e, em todas as manifestações, se comportou com tal bondade que, em poucos dias, a comissão vitoriosa retornava á capital com inúmeros protestos de paz e amizade, assinados por aqueles mesmos compatriotas dantes considerados subversivos.
Recebido pelos pais que já haviam colhido informações tendenciosas, com relação ao seu comportamento que, para muitos, expressava fraqueza e covardia, entregou os resultados da missão que executara sem ameaças e sem lágrimas, sem perseguição e sem morte.
Após o relatório a que se via compelido pela força das responsabilidades de que fora revestido, o pai levantou-se e indagou asperamente:
-Então, que fez você das ordens que lhe confiamos? Onde a sua promessa de nos destruir os inimigos?
O rapaz, surpreendido, respondeu com humildade?
-Pai, o mandato com que fui honrado foi honestamente cumprido. Anulei todos os nossos adversários, deles fazendo cooperadores e amigos. Não restou um só dos inimigos do reino, porquanto, foi possível transfigurar todos os nossos opositores em companheiros que passaram a trabalhar e a produzir pra a comunidade com sinceridade e sensatez.
O genitor, confundido pela informação, permaneceu em silêncio, ignorando como reformular o assunto, mas a soberana, de coração compreensivo e justo, adiantou-se para o moço e concluiu o episódio, falando-lhe com o manifesto carinho maternal:
-Deus o abençoe, meu filho! Todas as suas providencias foram louváveis. Muitos ganham a guerra, mas você ganhou a paz que nos beneficia a todos e precisamos reconhecer que sem paz é impossível sustentar o trabalho do bem.
Esta é a ligeira historia que, de minha parte, igualmente lhe ofereço por modelo da vida em paz. Não sei se consegui satisfazê-la, mas acredite que fiz aqui o melhor que se me fez possível.
Se não pude, porem, responder aos seus argumentos com clareza, terei muita satisfação em dialogar consigo outra vez.
Fonte Livro “Presença de Luz” Espírito Augusto Cezar Psicografia Chico Xavier