contador de visitas

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Só o futuro dirá


Só o futuro dirá

Dentro da nossa percepção acanhada, muitas vezes não sabemos mensurar o que é bom ou o que é mau, considerando a eternidade da vida.
E é por causa da nossa falta de visão que, por vezes, julgamos ser bom o que só nos acarretará dor no futuro.
Aqueles que se julgam espertos o bastante para tirar proveito de cargos e situações, a si mesmos se iludem, pois o futuro lhes cobrará ceitil por ceitil.
Aqueles que hoje ganham altos salários e pouco retribuem em forma de trabalho, terão que, no futuro, trabalhar muito e receber apenas o necessário para sobreviver.
Os que dão um jeitinho de se aposentar antes do tempo, serão obrigados pelas Leis Divinas a, no futuro, trabalhar até que as forças físicas cessem.
Por outro lado, os que hoje sofrem e se consideram esquecidos por Deus, num futuro mais ou menos breve, terão de volta as promissórias devidamente quitadas pelas Leis Maiores.
Aqueles que hoje são visitados por enfermidades graves e pensam que isto é um grande mal, não se dão conta de que são as impurezas do Espírito sendo drenadas pelo corpo físico e que, num futuro próximo, terão mais brilho espiritual.
Por essas e outras razões, antes de julgar fatos e situações, façamos como o homem prudente da história e ponderemos sempre:
Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá.
Quando Jesus afirmou que a semeadura é livre mas a colheita é obrigatória, Se referia à Lei de Causa e Efeito.
Sendo assim, é muito importante selecionar as sementes que hoje plantamos, sem a ilusão de que é possível burlar as Leis de Deus.
E não nos esqueçamos de que, se hoje colhemos frutos amargos e indigestos, eles fazem parte da nossa semeadura do ontem.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

MENSAGEM DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS


MENSAGEM DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS


O Calvário do Mestre não se constituía tão somente de secura e aspereza...
Do monte pedregoso e triste jorravam fontes de água viva que dessedentaram a alma dos séculos.
E as flores que desabrochavam no entendimento do ladrão e na angústia das mulheres de Jerusalém atravessaram o tempo, transformando-se em frutos abençoados de alegria no celeiro das nações.
Colhe as rosas do caminho no espinheiro dos testemunhos...
Entesoura as moedas invisíveis do amor no templo do coração...
Retempera o ânimo varonil, em contato com o rocio divino da gratidão e da bondade!...
Entretanto, não te detenhas. Caminha!....
É necessário ascender.
Indispensável o roteiro da elevação, com o sacrifício pessoal por norma de todos os instantes.
Lembra-te, Ele era sozinho! Sozinho anunciou e sozinho sofreu. Mas erguido, em plena solidão, no madeiro doloroso por devotamento à humanidade, converteu-se em Eterna Ressurreição.
Não temos outra diretriz senão a de sempre:
Descer auxiliando para subir com a exaltação do Senhor.
Dar tudo para receber com abundância.
Nada pedir para nosso Eu exclusivista, a fim de que possamos encontrar o glorioso NÓS da vida imortal.
Ser a concórdia para a separação.
Ser luz para as sombras, fraternidade para a destruição, ternura para o ódio, humildade para o orgulho, bênção para a maldição..
Ama sempre.
É pela graça do amor que o Mestre persiste conosco, os mendigos dos milênios derramando a claridade sublime do perdão celeste onde criamos o inferno do mal e do sofrimento.
Quando o silêncio se fizer mais pesado ao redor de teus passos, aguça os ouvidos e escuta.
A voz Dele ressoará de novo na acústica de tua alma e as grandes palavras, que os séculos não apagaram, voltarão mais nítidas ao círculo de tua esperança, para que as tuas feridas se convertam em rosas e para que o teu cansaço se transubstancie em triunfo.
O rebanho aflito e atormentado clama por refúgio e segurança.
Que será da antiga Jerusalém humana sem o bordão providencial do pastor que espreita os movimentos do céu para a defesa do aprisco?
É necessário que o lume da cruz se reacenda, que o clarão da verdade fulgure novamente, que os rumos da libertação decisiva sejam traçados.
A inteligência sem amor é o gênio infernal que arrasta os povos de agora às correntes escuras e terrificantes do abismo.
O cérebro sublimado não encontra socorro no coração embrutecido.
A cultura transviada da época em que jornadeamos, relegada à aflição ameaça todos os serviços da Boa Nova, em seus mais íntimos fundamentos.
Pavorosas ruínas fumegarão, por certo, sobre os palácios faustosos da humana grandeza, carente de humanidade, e o vento frio da desilusão soprará, de rijo, sobre os castelos mortos da dominação que, desvairada, se exibe sem cogitar dos interesses imperecíveis e supremos do espírito.
É imprescindível a ascensão.
A luz verdadeira procede do mais alto e só aquele que se instala no plano superior ainda mesmo coberto de chagas e roído de vermes, pode, com razão, aclarar a senda redentora que as gerações enganadas esqueceram. Refaz as energias exauridas e volta ao lar de nossa comunhão e de nossos pensamentos.
O trabalhador fiel persevera na luta santificante até o fim.
O farol no oceano irado é sempre uma estrela em solidão. Ilumina a estrada, buscando a lâmpada do Mestre que jamais nos faltou.
Avança.... Avancemos...
Cristo em nós, conosco, por nós e em nosso favor é o Cristianismo que precisamos reviver à frente das tempestades, de cujas trevas nascerá o esplendor do Terceiro Milênio.
Certamente, o apostolado é tudo. A tarefa transcende o quadro de nossa compreensão.
Não exijamos esclarecimentos.
Procuremos servir.
Cabe-nos apenas obedecer até que a glória Dele se entronize para sempre na alma flagelada do mundo.
Segue, pois, o amargurado caminho da paixão pelo bem divino, confiando-te ao suor incessante pela vitória final.
O Evangelho é o nosso Código Eterno.
Jesus é o nosso Mestre Imperecível.
Agora é ainda a noite que se rasga em trovões e sombras, amedrontando, vergastando, torturando, destruindo...
Todavia, Cristo reina e amanhã contemplaremos o celeste despertar.
Esta Mensagem foi psicografada por Francisco Cândido Xavier dirigida a Pietro Ubaldi, em 17 de agosto de 1951, na residência de Dr. Rômulo Joviano em Pedro Leopoldo, MG, na presença de doze pessoas, ao mesmo tempo em que, sentado à mesma mesa, Pietro Ubaldi recebia mais uma mensagem canalizada de Jesus Cristo.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Seguir o Cristo


Seguir o Cristo
Em todos os recantos onde Jesus deixou o sinal de sua passagem, houve sempre grande movimentação no que se refere ao ato de levantar e seguir.
André e Tiago deixaram as redes para acompanhar o Mestre.
Os paralíticos que retomaram a saúde se reergueram e andaram.
Lázaro atendeu ao chamamento do Cristo e levantou-se do sepulcro.
Entre dolorosas peregrinações e profundos esforços de vontade, Paulo de tarso procurou seguir o Jesus, entre açoites e sofrimentos, depois de se haver levantado, às portas de damasco.
Numerosos discípulos do evangelho, nos tempos apostólicos, adotaram atitude semelhante.
Eles acordaram da noite de ilusões terrestres e demandaram os testemunhos santificados no trabalho e no sacrifício.
Isso constitui um acervo de lições muito claras a quem quer que se afirme cristão.
A maioria adota, em quase todos os seus trabalhos, a lei do menor esforço.
Muitos esperam a paz ofertada pelo Cristo no conforto de poltronas acolhedoras.
Outros fazem preces por intermédio de discos ou CD’s.
Há quem deseje comprar a tranqüilidade celeste mediante generosas esmolas.
Alguns cristãos aguardam intervenções miraculosas e sobrenaturais para melhorar sua vida, sem qualquer esforço próprio.
Contudo, é importante que cada qual se indague se está efetivamente seguindo o Cristo, ou se apenas adota fórmulas de culto exterior, carentes de significado.
Seguir o Mestre divino implica levantar-se e renovar-se.
Não há como trilhar o caminho da verdadeira vida sem imitar os luminosos exemplos de Jesus.
Como é impossível alçar altos vôos com os pés chumbados ao solo, torna-se imperiosa a libertação dos vícios incompatíveis com a condição de fiel discípulo do Cristo.
Cada criatura, mediante sincera e humilde auto-análise, poderá identificar o que a prende à terra e a impede de levantar-se.
Afinal, sem noção clara da tarefa a ser empreendida, não há como realizá-la a contento.
Para alguns, a frente de batalha situa-se na necessidade de domar a sexualidade em desvario.
Outros destroem seu corpo com a gula.
Muitos amam o ócio, gastando seu tempo com mil passatempos que a nada conduzem, ao invés de trabalharem para o progresso pessoal e coletivo.
A maledicência é o calcanhar de Aquiles de numeroso contingente de pessoas.
Do mesmo modo ocorre com a ganância, a desonestidade, o egoísmo, o orgulho e a vaidade, dentre outros tantos vícios que infelicitam a humanidade.
Identificados os obstáculos à própria evolução, não resta alternativa senão a labuta diária e persistente para erradicá-los.
Cada um é herdeiro de si mesmo e as dificuldades atuais refletem opções equivocadas do passado.
Quem já se dispôs a seguir o Cristo há longa data, por certo hoje se encontra pleno de paz e harmonia.
Mas a maior parte da humanidade, lenta em assumir as responsabilidades e as rédeas do próprio processo evolutivo, permanece desequilibrada, entre reclamações e infantilidades.
Entretanto, ninguém fará nosso trabalho.
Se queremos a paz que o Cristo ofereceu, devemos imitar-lhe os exemplos e romper, de forma vigorosa e determinada, com os hábitos do homem velho que ainda vive em nós.
O amoroso chamado do Mestre ecoa em nossas consciências há milênios, convidando-nos à verdadeira vida.
Compete-nos a decisão de levantar e segui-lo, mediante profunda e definitiva transformação de nosso ser.

 capítulo I do livro Segue-me!..., do Espírito Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O QUE É O EVANGELHO NO LAR


O  QUE  É  O  EVANGELHO  NO  LAR
É uma reunião fraterna dos componentes do Lar, sob o amparo de Jesus.
Por que fazê-lo?
Para bem compreender e sentir o Evangelho, a fim de melhor exemplificá-lo.
Para se criar o hábito salutar de reuniões Evangélicas no Lar, com o objetivo de despertar e acentuar o sentimento de fraternidade que deve existir entre as criaturas.
Para melhor proteção do Lar, através de bons pensamentos ensejando a afluência dos Mensageiros do Bem.
Para a obtenção do amparo necessário que possibilite a superação das dificuldades materiais e espirituais, em consonância com a recomendação “Orai e Vigiai” ensinada por Jesus.
Para unir sempre mais os participantes do Lar, propiciando uma vivência mais amorosa.
Como fazê-lo
Reunir os componentes do Lar uma vez por semana em dia e hora predeterminados.
Iniciar com uma prece simples e espontânea.
Ler um trecho de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e comentá-lo de forma acessível, sem polemizar.
Fazer vibrações:
Pela implantação e a vivência do Evangelho em todos os Lares;
Pela Paz na Terra;
Pela Paz no Brasil;
Pelas criaturas carentes;
Pelas pessoas com quem temos dificuldades de ajustamento;
Pelo incentivo e a proteção dos trabalhadores do Bem e da Verdade e,
Por nós próprios.
Fazer prece de agradecimento e encerrar.
Lembrete:
A reunião deverá ser conduzida por pessoa do Lar e incentivada a participação de todos.
Usar o “Evangelho Segundo o Espiritismo” como leitura básica, podendo-se complementar com outras obras espíritas de boa procedência.
Acautelar-se para não transformar a reunião em trabalho mediúnico; a mediunidade e a assistência espiritual devem ser atendidas em sociedade espírita idônea.
Não suspender a reunião em virtude de visitas ou eventos adiáveis. Convidados podem participar do culto.
www.itapuaeditora.com.br

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A Verdadeira Caridade


A Verdadeira Caridade

"A paz e o entendimento sejam com todos! Irmãos deste grupo. Não podeis mais vos conformar com vossas limitações. Tendes uma oportunidade bendita de redenção para vossas almas e sabeis que é da mais grave importância para vossos Espíritos. Muito já caminhastes nos trilhos dos enganos como também muito já sucumbistes às vossas solicitações de prazeres materiais.
É tempo de compreenderdes verdadeiramente o vosso papel nesta vida e sobremaneira nesta casa. Não sois mais pessoas comuns. Fostes chamados pelo Cristo a este ministério. Tendes os escritos da Lei a vos guiar os passos e as explicações do Mestre de Lyon a vos desvendar o que considerais mistérios da vida. Analisai com maturidade de Espírito, mas sobretudo com sincera humildade e observai que em muitos pontos ainda necessitais do entendimento verdadeiro das coisas. 
A caridade, amigos, necessita ser compreendida da forma como ela é e não da maneira como compreendeis com vossas pobres interpretações. Preparai vossos caminhos de Luz no exercício da verdadeira caridade. Aquela que visa antes o bem do próximo. Não queirais reconhecimento para vós daquilo que empreendeis utilizando o que não é vosso. Perscrutai o fundo de vossas almas e vede se não buscais o reconhecimento de vossas ações nos rostos de sofrimentos dos irmãos que assistis. 
Buscai com fervor esta verdade em vós, única maneira de saberdes se estais praticando a caridade ou se servindo dela. Se ao estender a mão a um irmão sentis prazer no olhar de agradecimento que ele vos lança, estais alimentando vosso ego que vos induz a pensar que vossa prática tem maior mérito do que realmente vale. Esse é o perigo a que se atiram aqueles que praticam a caridade sem examinar suas verdadeiras intenções e sem estudar o sentido verdadeiro da mensagem de Jesus. 
Sabeis que no ato de dar, que em vossos corações tem uma conotação equivocada, estais na verdade recebendo, pois naquele miserável está o exemplo da resignação e submissão a Deus que muitas e muitas vezes falta em vós, por causa do orgulho que ainda domina vossas almas. Meditai sobre isto, caríssimos, a fim de que vossa conta não seja aumentada no caderno de Deus e vivei de forma a que ao final de vossa jornada possais dizer com a consciência tranqüila: "Obrigado, Senhor, pelo campo que me foi oferecido a plantar. Os bons grãos que colhi semeei a outros e que seja feita a Vossa vontade. Disponde de mim da forma que achais conveniente". 
Graça e Paz a todos e que Deus os abençoe!"

Espírito: Lázaro

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Página do caminho

Página do caminho
 
Para se lançar nas atividades do bem, não aguarde o companheiro perfeito.
A perfeição não costuma se fazer presente na rota dos seres em evolução.
Você esperava ansiosamente a criatura irmã para formar o lar mais ditoso.
Entretanto, o matrimônio lhe trouxe alguém a reclamar sacrifício e ternura.
Contava com seu filho para ser um amigo próximo e fiel, a compartilhar seus sonhos e ideais.
Contudo, ele alcançou a mocidade e fez-se homem sem se interessar por seus projetos.
Você se amparava no companheiro de ideal, que lhe parecia digno e dedicado.
Mas, de um momento para o outro, a amizade pura degenerou em discórdia e indiferença.
Mantinha fé no orientador que parecia venerável, em suas palavras sábias e em seus atos convincentes.
No entanto, um dia ele caiu de modo formidável, arrastado por tentações de que não se preveniu a contento.
É compreensível e humana a dor de ver ruírem esperanças e relações.
Contudo, embora mais solitário, continue firme no trabalho edificante que lhe constitui o ideal.
Cada homem carrega consigo seus potenciais e dificuldades.
A queda e a deserção de um não justificam as de outro.
Sempre é possível mirar-se em quem cai e passa a rastejar.
Entretanto, convém antes pensar nos que seguem adiante, altivos e valorosos.
De um modo ou de outro, cada homem responde pelas consequências que gera.
Na hora de enfrentá-las, será de pouco conforto lembrar que outros também padecem pela adoção de semelhante conduta.
É normal desejar companheiros de ideais e afeições puras nas quais se fortaleça.
Mas, quase sempre, aqueles a quem você considera como os afetos mais doces possuem importantes fragilidades.
Deseja que sejam autênticos sustentáculos na luta, quando simbolizam tarefas que solicitam renúncia e amor de sua parte.
Se deseja viver no bem, não valorize o gelo da indiferença e o fel da incompreensão.
Lembre-se de que o coração mais belo que pulsou entre os homens respirava na multidão e seguia só.
Possuía legiões de Espíritos angélicos.
Mas aproveitou o concurso de amigos frágeis que O abandonaram na hora extrema.
Ajudava a todos e chorou sem ninguém.
Mas, ao carregar a cruz, no monte áspero, continuou a legar preciosas lições à Humanidade.
Ensinou que as asas da Imortalidade podem ser extraídas do fardo de aflição.
Também mostrou que, no território moral do bem, alma alguma caminha solitária.
Embora a aparente derrota no mundo, todas seguem amparadas por Deus rumo a destinos gloriosos.
Pense nisso.

Espírito da Verdade,
por Espíritos diversos, psicografia de
Francisco Cândido Xavier

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

FLORES SEM HASTE

FLORES SEM HASTE
Bezerra de Menezes
Nós temos na colônia Maria de Nazaré, uma freirinha cuja única alegria na Terra foi cuidar de um pequeno jardim, no convento das Carmelitas em que ela morava. Ela não se tornou freira porque quis, a mãe dela ficou muito doente durante o período de gestação e prometeu que, se ela vivesse e se a filha nascesse com saúde, seria freira.
Quando a vida começava a explodir em beleza e sonhos, aos quinze anos, fizeram um enxoval e entregaram-na como esposa do Cristo. Ela chorou sozinha durante muito tempo, depois se conformou e passou a dedicar às flores um pouco do seu amor. Ela tinha que orar enquanto fazia pão, tinha que orar enquanto lavava o pátio, tinha que orar enquanto fazia as refeições, tinha que orar o dia inteiro. Não aquela oração que saía do coração, mas aquela oração automática de quem reza a Ave Maria, a Salve Rainha e o Pai Nosso. Ela desencarnou e foi ser voluntária na Colônia Servos Maria de Nazaré. Ela se afeiçoou muito a uma madre e essa madre era uma ex-interna da colônia, então, ela resolveu ir para essa colônia.
Existe na colônia Maria de Nazaré o jardim das flores sem haste. As flores são cuidadas por ela, pela nossa pequenina freira. Essa irmãzinha faz flores belíssimas! Um dia, eu cheguei e perguntei:
- Por que, irmãzinha, você faz as flores sem haste? No Nosso Lar, na colônia Divino Amigo, na colônia Missionários da Luz, em todos os abrigos, temos jardins belíssimos, todos com hastes, com folhagens... Por que um jardim com flores sem hastes?
Ela me disse:
- Porque é muito difícil guardarmos a essência da fé e do amor com raízes plantadas profundamente no chão. Achavam, na Terra, que eu era santificada pela minha reclusão involuntária e a única alegria que eu tinha eram as flores, que eu justificava que eram cuidadas para serem colocadas aos pés da Virgem Santíssima. Mas, quando eu oferecia as flores para Virgem Santíssima, eu não oferecia as raízes, eu procurava cortar bem rente e oferecer só as flores. Hoje, como eu posso criar flores fluídicas, eu quero que todas as criaturas aprendam a caminhar na Terra sem deixar muitas raízes, porque aqui, na colônia onde sirvo, no hospital Maria de Nazaré, as pessoas que estão abrigadas plantaram muito mais raízes do que flores. São bem poucos aqueles que souberam valorizar as flores. As flores abrigam, às vezes, espinhos venenosos, raízes tóxicas, mas só as pétalas são como a face de Maria: suave, perfumada e doce. Plantaram a haste da minha vida no solo de uma igreja fria, onde meu único consolo era embelezar os pés de Maria, vendo meus colibris, meus beija-flores... Até as migalhas do pão me eram tão difíceis de oferecer aos passarinhos, mesmo recorrendo a Francisco de Assis como exemplo para a minha atitude... Fui, uma vez, inclusive, punida, porque diziam que eu via na imagem de Francisco de Assis a imagem de um homem, quando, na verdade, eu estava buscando uma fuga para poder olhar as aves do céu, como direito que todas as criaturas têm e o próprio Cristo nos Ensinou: “olhai as aves do céus!” Mas, tudo o que eu dizia representava para mim mais punição... E quando Bezerra de Menezes me pergunta por que eu faço flores sem haste, eu respondo como respondi: não é muito mais bela uma flor boiando no infinito de Deus?
Eu segurei as mãos daquela trabalhadora, pedi licença e beijei-as. Benditas sejam as mãos que amam as flores, bendito seja aquele que tem olhos para ver as aves do céu, para ver os lírios do campo, sem falar no lodo que alimenta esses lírios, mas na beleza que neles resplandecem! Ela, realmente, levou para a colônia só as flores e deixou no chão da Terra as raízes...

sábado, 18 de fevereiro de 2012

VIVER EM PAZ

VIVER EM PAZ
Espírito Augusto Cezar
Prezada irmã.
Recebi a carta em que a sua generosidade me pergunta como viver em paz, sem aversões e sem inimigos.
Creia que despendi muito tempo procurando um caminho para a resposta.
Meditei, meditei, até que um professor iluminado por muitas experiências, falou-me, bem humorado:
- Augusto, sobre tranqüilidade e inimigos, tenho uma pequena historia que vale a pena ser contada.
E prosseguiu:
Nos tempos medievais, grande parte da Europa era recortada por numerosos domínios. Foi assim que existiu um reino na Itália, cujos habitantes se caracterizavam pelo gênio criativo e trabalhador.
Tudo corria, por lá, às mil maravilhas, quando certa parte do território entrou em dificuldade para o relacionamento harmonioso dos cidadãos entre si.
Tudo começou com tricas domésticas que rapidamente degeneraram em conflitos sociais que se comunicaram à vida produtiva do País.
Desorganizara-se o trabalho, o ódio estabelecia a delinqüência, a luta de classes oferecia péssimos exemplos à comunidade e, quando o desequilíbrio atingiu o auge, reuniram-se os soberanos com os juizes e conselheiros nos quais se inspiravam e resolveu-se que o filho único do casal fosse em missão punitiva ao encontro dos dissidentes, de modo a restaurar os princípios da segurança.
O jovem prometeu liquidar todos os inimigos do reino e, dias depois, cavalgando soberbo corcel, o rapaz, acompanhado de assessores, partiu em busca da recuada província que a rebeldia infestava.
Atingida a meta, os colaboradores do príncipe, com grande espanto, viram-no convidar as autoridades responsáveis pelos negócios do Estado para um entendimento em praça pública.
Marcado o dia para o diálogo aberto, notou-se que o rapaz iniciou a reunião, pedindo a Deus abençoasse a todos os que ali compareciam de boa vontade.
Finda a prece, requisitou o debate e, com admiração para todos os moradores do rebelado recanto, passou a perdoar todas as injurias, assacadas contra a sua família; mandou pagar as indenizações que lhe foram apresentadas com documentos justos e reorganizou o serviço das classes diversas e, em todas as manifestações, se comportou com tal bondade que, em poucos dias, a comissão vitoriosa retornava á capital com inúmeros protestos de paz e amizade, assinados por aqueles mesmos compatriotas dantes considerados subversivos.
Recebido pelos pais que já haviam colhido informações tendenciosas, com relação ao seu comportamento que, para muitos, expressava fraqueza e covardia, entregou os resultados da missão que executara sem ameaças e sem lágrimas, sem perseguição e sem morte.
Após o relatório a que se via compelido pela força das responsabilidades de que fora revestido, o pai levantou-se e indagou asperamente:
-Então, que fez você das ordens que lhe confiamos? Onde a sua promessa de nos destruir os inimigos?
O rapaz, surpreendido, respondeu com humildade?
-Pai, o mandato com que fui honrado foi honestamente cumprido. Anulei todos os nossos adversários, deles fazendo cooperadores e amigos. Não restou um só dos inimigos do reino, porquanto, foi possível transfigurar todos os nossos opositores em companheiros que passaram a trabalhar e a produzir pra a comunidade com sinceridade e sensatez.
O genitor, confundido pela informação, permaneceu em silêncio, ignorando como reformular o assunto, mas a soberana, de coração compreensivo e justo, adiantou-se para o moço e concluiu o episódio, falando-lhe com o manifesto carinho maternal:
-Deus o abençoe, meu filho! Todas as suas providencias foram louváveis. Muitos ganham a guerra, mas você ganhou a paz que nos beneficia a todos e precisamos reconhecer que sem paz é impossível sustentar o trabalho do bem.
Esta é a ligeira historia que, de minha parte, igualmente lhe ofereço por modelo da vida em paz. Não sei se consegui satisfazê-la, mas acredite que fiz aqui o melhor que se me fez possível.
Se não pude, porem, responder aos seus argumentos com clareza, terei muita satisfação em dialogar consigo outra vez.
Fonte Livro “Presença de Luz” Espírito Augusto Cezar Psicografia Chico Xavier

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A Minha Paz Vos Dou

A Minha Paz Vos Dou

Bittencourt Sampaio

Esta a mensagem que o Divino Mestre entregou aos seus discípulos, após o término de sua exemplificação no mundo físico.

Esta, igualmente, a mensagem que em Seu Nome trazemos a esta assembléia de discípulos seus, unidos de alma e coração, consagrando na Terra a vera Fraternidade, legítima, pura, que comprova sempre a Presença Divina no seio do apostolado do Sumo Bem.

Espiritismo é sol nas almas, esclarecendo, pacificando, ensinando, conscientizando.

Espiritismo é luz do Eterno Amor, descida ao Mundo para aplanar os caminhos terrestres e elevar o Homem-Espírito a régias esferas da Criação.

Um dos seus objetivos é unir, para elevar, santificando sempre.

Vivemos a época precisa de seu esplendor, que deverá atingir os corações, não só na Terra Brasileira, mas nos vários continentes do Planeta e, mais além, nas esferas infelizes e conturbadas que invadem os domínios dos homens, promovendo discórdias.

O Universo, como um todo, é poema de luz e beleza, testificando o poder e a harmonia dos Céus.

Nele, pontifica a Soberana Vontade. Enviando a Doutrina Consoladora ao domicílio dos homens, por Seu Divino Cordeiro, é da Vontade Soberana ver Seus filhos amados unidos, em espírito, na verdade sublime de Seus ensinos.

Eis por que, na reunião de hoje, de irmãos que se consagraram à tarefa de edificar a paz, no labor da renúncia e do sacrifício, exemplificando a ação fraternal quando estava em pauta, não os interesses materiais, mas a Causa do Santo dos Santos Caminho, Verdade e Vida-, vem o Mundo Espiritual abençoar os corações enobrecidos na luta.

Amados, nosso pequenino orbe necessita, sim, dos corações unidos em nome do Divino Amor, que nos deixou a Sua Paz.

Embainhar as espadas, foi Sua ordem. Unidos hoje nas lágrimas derramadas no terreno árido revolvido e nas alegrias que ora florescem, assinalando mais uma vez a destinação desta Terra, rogamos ao Pai Exceiso abençoe a quantos lutaram por desfraldar a Bandeira da Fraternidade.

Em nome do Senhor, que nos deixou as amenidades de Sua Paz, o Mundo Espiritual a todos abraça, conclamando: "Para a frente e para o Alto, com o Cristo, hoje e sempre!"

domingo, 12 de fevereiro de 2012

PRECE DE FELIX

PRECE DE FELIX

Senhor Jesus, nós Te agradecemos a felicidade que nos concedeste na lição do sofrimento, do trabalho, e da expectação!...

Obrigado, Senhor, pelas horas de aflição que nos clarearam a alma, pelos minutos de dor que nos despertaram as consciências! Obrigado pelas semanas de lágrimas que realizaram por nós o que não nos foi possível fazer em séculos de esperanças!...

Em te alçando nosso agradecimento e louvor, pedimos ainda!... Suplicamos-Te arrimo para todos os que resvalaram nos enganos do sexo desorientado, quando nos ofereceste o sexo por estrela de amor a brilhar, assegurando-nos a alegria de viver e garantindo-nos os recursos da existência!...

Consente, Senhor, possamos relacionar, diante de Ti, aqueles irmãos que as convenções terrestres tantas vezes se esquecem de nomear, quando Te dirigem o coração.

Abençoa os que se tresmalharam na insânia ou no infortúnio, em nome do amor que não chegaram a conhecer!

Socorre nossas irmãs entregues à prostituição, já que todas nasceram para a felicidade do lar, e corrige com Tua munificência os que as impeliram para a viciação das forças genésicas; acolhe as vítimas do aborto, arrancadas violentamente ao claustro materno, dentro dos prostíbulos ou em recintos que a impunidade acoberta, e retifica, sob Teu auxílio, as mãos que não vacilaram asfixiar-lhes ou degolar-lhes os corpos em formação; restaura as criaturas sacrificadas pelas deserções afetivas, que não souberam encontrar outro recurso senão o suicídio ou o manicômio para ocultarem o martírio moral que lhes transcendeu a capacidade de resistência, e compadece-Te de todos aqueles que lhes escarneceram da ternura, transformando-se quase sempre, em carrascos sorridentes e empedernidos; protege os que renasceram desajustados, no clima da inversão, suportando constrangedoras tarefas ou padecendo inibições regenerativas, e recupera os que se reencarnaram nessa prova, sem forças para sustentar as obrigações assumidas, afogando a existência em devassidão; recolhe as crianças que foram seviciadas e renova, com Tua generosidade, os estupradores que se animalizaram, inconscientes; agasalha os que rolaram na desencarnação prematura, por efeito de golpes homicidas, nas tragédias da insatisfação e do desespero, e ampara os que se lhes tornam os verdugo padecentes, vergastados pelo remorso, seja na liberdade atenazada de angústia ou no espaço estreito dos calabouços!...

Mestre, digna-te reconduzir ao caminho justo os homens e as mulheres, nossos irmãos, que dominados pela obsessão ou traídos pela própria fraqueza, não conseguiram manter os compromissos de fidelidade ao tálamo doméstico; reequilibra os que exibem mutilações e moléstias resultantes dos excessos ou dos erros passionais que praticaram nesta ou em outras existências; reabilita a cabeça desvairada dos que exploram o filão de trevas do lenocínio; regenera o pensamento insensato dos que abusam da mocidade, propiciando-lhes entorpecentes; e sustenta os que rogaram antes da reencarnação as lágrimas da solidão afetiva e as receberam na Terra, por medida expiatória aos desmandos sexuais a que se afeiçoaram, em outras vidas, e que, muitas vezes, sucumbem de inanição e desalento, em cativeiro familiar, sob o desprezo de parentes in sensíveis, a cuja felicidade consagraram a juventude!...

Senhor, estende também a destra misericordiosa sobre os corações retos e enobrecidos! Desperta os que repousam nos ajustes legais, acatados nas organizações terrestres, e esclarece os que respiram em lares, revestidos pela dignidade que mereceram a fim de que tratem com humanidade e compaixão os que ainda não podem guardar-lhes os princípios e imitar-lhe os bons exemplos!... Ilumina o sentimento das mulheres engrandecidas pelo sacrifício e pelo trabalho, para que não desamparem aquelas outras que, até agora, ainda não conquistaram a maternidade premiada pelo respeito do mundo, e que, tantas vezes, lhes suportam a brutalidade dos filhos nos lupanares! Sensibiliza o raciocínio dos homens que encaneceram honrados e puros, de modo a que não abandonem os jovens desditosos e transviados!...

Senhor, não consintas que a virtude se converta em fogo no tormento dos caídos e nem permitas que a honestidade se faça gelo nos corações!...

Tu, que desceste à vielas do mundo para curar os enfermos, sabes que todos aqueles que jornadeiam na Terra, atormentados pela carência de alimentação afetiva ou alucinados pelos distúrbios do sexo, são doentes e infelizes, filhos de Deus necessitados de tuas mãos!...

Inspira-nos em nossas relações uns com os outros e clareia-nos o entendimento para que saibamos ser agradecidos à tua bondade, para sempre!...

pelo Espírito André Luiz -Do livro: À Luz da Oração, Médium: Francisco Candido Xavier

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Mãos à obra

mãos à obra
“Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo,
tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação.
Faça-se tudo para edificação.” – Paulo. (I Coríntios, 14:26).
A igreja de Corinto lutava com certas dificuldades mais fortes, quando Paulo lhe escreveu a observação aqui transcrita.
O conteúdo da carta apreciava diversos problemas espirituais dos companheiros do Peloponeso, mas podemos insular o versículo e aplicá-lo a certas situações dos novos agrupamentos cristãos, formados no ambiente do Espiritismo, na revivescência do Evangelho.
Quase sempre notamos intensa preocupação nos trabalhadores, por novidade em fenomenologia e revelação.
Alguns núcleos costumam paralisar atividades quando não dispõe de médiuns adestrados.
Porque?
Médium algum solucionará, em definitivo, o problema fundamental da iluminação dos companheiros.
Nossa tarefa espiritual seria absurda se estivesse circunscrita à freqüência mecânica de muitos, a um centro qualquer, simplesmente para assinalarem o esforço de alguns poucos.
Convençam-se os discípulos de que o trabalho e a realização pertencem a todos e que é imprescindível se movimente cada qual no serviço edificante que lhe compete. Ninguém alegue ausência de novidades, quando vultuosas concessões da esfera superior aguardam a firme decisão do aprendiz de boa vontade, no sentido de conhecer a vida e a elevar-se.
Quando vos reunirdes, lembrai a doutrina e a revelação, o poder de falar e de interpretar de que já sois detentores e colocai mãos à obra do bem e da luz, no aperfeiçoamento
Emmanuel

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A LEI DOS DESTINOS

A LEI DOS DESTINOS
Léon Denis
Dada a prova das vidas sucessivas, o caminho da existência acha-se desimpedido e traçado com firmeza e segurança. A alma vê claramente seu destino, que é a ascensão para a mais alta sabedoria, para a luz mais viva. A eqüidade governa o mundo; nossa felicidade está em nossas mãos; deixa de haver falhas no Universo, sendo seu alvo a Beleza, seus meios a Justiça e o Amor. Dissipa-se, portanto, todo o temor quimérico, todo o terror do Além. Em vez de recear o futuro, o homem saboreia a alegria das certezas eternas. Confiado no dia seguinte, multiplicam-se-lhe as forças; seu esforço para o bem será centuplicado.
Entretanto, levanta-se outra pergunta: Quais são as molas secretas por cuja via se exerce a ação da justiça no encadeamento de nossas existências?
Notemos, primeiro que tudo, que o funcionamento da justiça humana nada nos oferece que se possa comparar com a lei divina dos destinos. Esta se executa por si mesma, sem intervenção alheia, tanto para os indivíduos como para as coletividades. O que chamamos mal, ofensa, traição, homicídio, determinam nos culpados um estado de alma que os entrega aos golpes da sorte na medida proporcionada à gravidade de seus atos.
Esta lei imutável é, antes de mais nada, uma lei de equilíbrio. Estabelece a ordem no mundo moral, da mesma forma que as leis de gravitação e da gravidade asseguram a ordem e o equilíbrio no mundo físico. Seu mecanismo é, ao mesmo tempo, simples e grande. Todo mal se resgata pela dor. O que o homem faz de acordo com a lei do bem, proporciona-lhe tranqüilidade e contribui para sua elevação; toda violação provoca sofrimento. Este prossegue a sua obra interior; cava as profundidades do ser; traz para a luz os tesouros de sabedoria e beleza que ele contém e, ao mesmo tempo, elimina os germens malsãos. Prolongará sua ação e voltará à carga por tanto tempo quanto for necessário até que ele se expanda no bem e vibre uníssono com as forças divinas; mas, na prossecução dessa ordem grandiosa, compensações estarão reservadas à alma. Alegrias, afeições, períodos de descanso e felicidade alternarão, no rosário das vidas, com as existências de luta, resgate e reparação. Assim, tudo é regulado, disposto com uma arte, uma ciência, uma bondade infinitas na Obra Providencial.
No princípio de sua carreira, em sua ignorância e fraqueza, o homem desconhece e transgride muitas vezes a Lei. Daí as provações, as enfermidades, as servidões materiais, mas, desde que se instrui, desde que aprende a pôr os atos de sua vida em harmonia com a Regra Universal, “ipso facto”
(1) é cada vez menos presa da adversidade.
Os nossos atos e pensamentos traduzem-se em movimentos vibratórios, e seu foco de emissão, pela repetição freqüente dos mesmos atos e pensamentos, transforma-se, pouco a pouco, em poderoso gerador do bem ou do mal.
O ser classifica-se assim a si mesmo pela natureza das energias de que se torna o centro irradiador, mas, ao passo que as forças do bem se multiplicam por si mesmas e aumentam incessantemente, as forças do mal destroem-se por seus próprios efeitos, porque esses efeitos voltam para sua causa, para seu centro de emissão e traduzem-se sempre em conseqüências dolorosas. Estando o mau, como todos os seres, sujeito a impulsão evolutiva, vê por isso aumentar-se forçosamente sua sensibilidade.
As vibrações de seus atos, de seus pensamentos maus, depois de haverem efetuado sua trajetória, volvem a ele, mais cedo ou mais tarde, e o oprimem, o apertam no necessidade de reformar-se.
Este fenômeno pode explicar-se cientificamente pela correlação das forças, pela espécie de sincronismo vibratório que faz voltar sempre o efeito à sua causa. Temos demonstração disso no fato bem conhecido de, em tempo de epidemia, de contágio, serem principalmente as pessoas, cujas forças vitais se harmonizam com as causas mórbidas em ação, as atacadas, ao passo que os indivíduos dotados de vontade firme e isentos de receio ficam geralmente indenes.
Sucede o mesmo na ordem moral. Os pensamentos de ódio e vingança, os desejos de prejudicar, provenientes do exterior, só podem agir sobre nós e influenciar-nos desde que encontrem elementos que vibrem uníssonos com eles. Se nada existir em nós de similar, estas forças ruins resvalam sem nos penetrarem, volvem para aquele que as projetou para, por sua vez, o ferirem, quer no presente quer no futuro, quando circunstâncias particulares as fizerem entrar na corrente do seu destino.
Há, pois, na lei de repercussão dos atos, alguma coisa mecânica, automática na aparência. Entretanto, quando implica acerbas expiações, reparações dolorosas, grandes Espíritos intervêm para regular-lhe o exercício e acelerar a marcha das almas em via de evolução. Sua influência faz-se principalmente sentir na hora da reencarnação, a fim de guiar estas almas em suas escolhas, determinando as condições e os meios favoráveis à cura de suas enfermidades morais e ao resgate das faltas anteriores.
Sabemos que não há educação completa sem a dor. Colocando-nos neste ponto de vista, é necessário livrarmo-nos de ver, nas provações e dores da Humanidade, a conseqüência exclusiva de faltas passadas. Todos aqueles que sofrem não são forçosamente culpados em via de expiação. Muitos são simplesmente Espíritos ávidos de progresso, que escolheram vidas penosas e de labor para colherem o benefício moral que anda ligado a toda pena sofrida.
Contudo, em tese geral, é do choque, é do conflito do ser inferior, que não se conhece ainda, com a lei da Harmonia, que nasce o mal, o sofrimento. É pelo regresso gradual e voluntário do mesmo ser a esta Harmonia que se restabelece o bem, isto é, o equilíbrio moral. Em todo pensamento, em toda obra há ação e reação e esta é sempre proporcional em intensidade à ação realizada. Por isso podemos dizer: o ser colhe exatamente o que semeou.
Colhe-o, efetivamente, pois que, por sua ação contínua, modifica sua própria natureza, depura ou materializa o seu invólucro fluídico, o veículo da alma, o instrumento que serve para todas as suas manifestações e no qual é calcado, modelado o corpo físico em cada renascimento.
Nossa situação no Além resulta, como vimos precedentemente, das ações repetidas que nossos pensamentos e nossa vontade exercem constantemente sobre o perispírito. Segundo sua natureza e objetivo, vão-no transformando pouco a pouco num organismo sutil e radiante, aberto às mais altas percepções, às sensações mais delicadas da vida do Espaço, capaz de vibrar de forma harmoniosa com Espíritos elevados e de participar das alegrias e impressões do Infinito. No sentido inverso, farão dele uma forma grosseira, opaca, acorrentada à Terra por sua própria materialidade e condenada a ficar encerrada nas baixas regiões.
Esta ação contínua do pensamento e da vontade, exercida no decorrer dos séculos e das existências sobre o perispírito, faz-nos compreender como se criam e desenvolvem nossas aptidões físicas, assim como as faculdades intelectuais e as qualidades morais.
Nossas aptidões para cada gênero de trabalho, a habilidade, a destreza em todas as coisas são o resultado de inumeráveis ações mecânicas acumuladas e registradas pelo corpo sutil, do mesmo modo que todas as recordações e aquisições mentais estão gravadas na consciência profunda. Ao renascer, estas aptidões são transmitidas, por uma nova educação, da consciência externa aos órgãos materiais. Assim se explica a habilidade consumada e quase nativa de certos músicos e, em geral, de todos aqueles que mostram, em um domínio qualquer, uma superioridade de execução que surpreende à primeira vista.
Sucede o mesmo com as faculdades e virtudes, com todas as riquezas da alma adquiridas no decurso dos tempos. O gênio é um longo e imenso esforço na ordem intelectual e a santidade foi conquistada à custa de uma luta secular contra as paixões e as atrações inferiores.
Com alguma atenção poderíamos estudar e seguir em nós o processo da evolução moral. De cada vez que praticamos uma boa ação, um ato generoso, uma obra de caridade, de dedicação, a cada sacrifício do “eu”, não sentimos uma espécie de dilatação interior? Alguma coisa parece expandir-se em nós; uma chama acende-se ou aviva-se nas profundezas do ser.
Esta sensação não é ilusória. O Espírito ilumina-se a cada pensamento altruísta, a cada impulso de solidariedade e de amor puro. Se estes pensamentos e atos se repetem, se multiplicam, se acumulam, o homem acha-se como que transformado ao sair de sua existência terrestre; a alma e seu invólucro fluídico terão adquirido um poder de radiação mais intenso.
No sentido contrário, todo pensamento ruim, todo ato criminoso, todo hábito pernicioso provoca um estreitamento, uma contração do ser psíquico, cujos elementos se condensam, entenebrecem, carregam de fluidos grosseiros.
Os atos violentos, a crueldade, o homicídio e o suicídio produzem no culpado um abalo prolongado, que se repercute, de renascimento em renascimento, no corpo material, e traduz-se em doenças nervosas, tiques, convulsões e até deformidades, enfermidades ou casos de loucura, consoante a gravidade das causas e o poder das forças em ação. Toda transgressão da lei implica diminuição, mal-estar, privação de liberdade.
As vidas impuras, a luxúria, a embriaguez e a devassidão conduzem-nos a corpos débeis, sem vigor, sem saúde, sem beleza. O ser humano que abusa de suas forças vitais, por si mesmo se condena a um futuro miserável, a enfermidades mais ou menos cruéis.
Às vezes a reparação se efetua numa longa vida de sofrimentos, necessária para destruir em nós as causas do mal, ou, então, numa existência curta e difícil, terminada por morte trágica. Uma atração misteriosa reúne às vezes os criminosos de lugares muito afastados num dado ponto para feri-los em comum. Daí as catástrofes célebres, os naufrágios, os grandes sinistros, as mortes coletivas, tais como o desastre de Saint-Gervais, o incêndio do Bazar de Caridade, a explosão de Courrières, a do “Iena”, o naufrágio do “Titanic”, do “Ireland”, etc.
Explicam-se assim as existências curtas; são o complemento de vidas precedentes, terminadas muito cedo, abreviadas prematuramente por excessos, abusos ou por qualquer outra causa moral, e que, normalmente, deveriam ter durado mais.
Não devem ser incluídas em tais casos as mortes de crianças em tenra idade. A vida curta de uma criança pode ser uma provação para os pais, assim como para o Espírito que quer encarnar. Em geral, é simplesmente uma entrada falsa no teatro da vida, quer por causas físicas, quer por falta de adaptação dos fluidos. Em tal caso, a tentativa de encarnação renova-se, pouco depois, no mesmo meio; reproduz-se até completo êxito, ou, então, se as dificuldades são insuperáveis, se efetua num meio mais favorável.
(Léon Denis).